sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

CORONAVÍRUS COM OS DIAS CONTADOS: Obama, Bush e Clinton se oferecem para tomar vacina da Covid-19 diante das câmeras


 RIO — Três ex-presidentes dos EUA, Barack Obama, George W. Bush e Bill Clinton, se ofereceram para tomar a vacina contra a Covid-19 diante das câmeras assim que houver alguma disponível nos Estados Unidos. O objetivo é aumentar a confiança da população no imunizante.


— Eu prometo que quando estiver disponível para pessoas que correm menos risco, eu irei tomar — disse Obama durante uma entrevista ao apresentador de rádio Joe Madison, que foi ao ar nesta quinta-feira. — Eu posso acabar sendo vacinado na TV ou sendo filmado para que as pessoas saibam que eu confio na ciência e o que eu não arrisco é ser infectado pela Covid.



Obama também disse entender porque há uma resistência por parte de algumas minorias, algo já alertado por especialistas, que foram mais afetadas pela pandemia. Ele relembrou acontecimentos históricos, como os abusos que ocorreram durante 40 anos no estudo da Tuskegee, quando pesquisadores observaram homens negros com sífilis sem notificá-los do diagnóstico ou tratá-los.


— Eu entendo porque, historicamente, a comunidade dos afro-americanos teria algum ceticismo. Mas o que importa é que vacinas são a razão de não termos mais poliomielite, são a razão de não termos mais um monte de crianças morrendo por sarampo, varíola e outras doenças que dizimavam populações e comunidades inteiras.


Os outros dois ex-presidentes foram procurados pela emissora CNN. O chefe de gabinete de Bush, Freddy Ford, disse que o republicano entrou em contato com Anthony Fauci, o maior especialista em doenças infecciosas do Estados Unidos, e Deborah Birx, coordenadora da força-tarefa do coronavírus na Casa Branca, para perguntar como ele poderia ajudar a promover a vacina.


— Há algumas semanas o presidente Bush me pediu para avisar a Fauci e Birx que, quando for a hora certa, ele quer fazer o que puder para ajudar a encorajar seus companheiros a serem vacinados — disse Ford à CNN. — Primeiro, as vacinas precisam ser consideradas seguras e entregues ao grupo prioritário. Depois, o presidente Bush entrará na fila para tomar a dele e ficará feliz em fazê-lo diante das câmeras.


Já na quarta feira, Angel Urena, secretário de imprensa de Clinton, afirmou à emissora que o ex-presidente também estaria disposto a tomar a vacina em público para promover o imunizante.


— O presidente Clinton com certeza vai tomar a vacina assim que estiver disponível para ele, com base nas prioridades determinadas pelos oficiais de saúde pública. E ele vai fazê-lo em público se isso for ajudar a incentivar todos os americanos a fazerem o mesmo.


Nesta segunda-feira, a farmacêutica americana Moderna Inc solicitou à Food and Drug Administration (FDA, órgão equivalente à Anvisa no Brasil) o uso emergencial de sua vacina contra a Covid-19 nos EUA. Os números da terceira e última fase dos ensaios clínicos indicaram uma eficácia de 94,1% do imunizante contra o novo coronavírus e uma eficácia de 100% na prevenção de casos graves.


Em meados de novembro, outra farmacêutica, a Pfizer, solicitara também o uso emergencial de sua vacina. À época, a Pfizer e a parceira alemã BioNTech haviam anunciado que os resultados finais do ensaio mostraram que o imunizante foi 95% eficaz na prevenção da Covid-19.


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quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

BOAS NOTÍCIAS: Brasil começará a receber 15 mi de doses da vacina de Oxford em janeiro de 2021


 O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, afirmou hoje que o Brasil começará a receber, em janeiro e fevereiro, 15 milhões de doses da vacina contra a covid-19 do laboratório AstraZeneca, desenvolvida em parceria com a Universidade de Oxford e a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz). Pazuello disse ainda que, hoje, o Brasil tem apenas "duas ou três" opções de vacinas. 


Esse primeiro lote faz parte do acordo de R$ 1,9 bilhão do governo federal com a empresa para a compra e o desenvolvimento do imunizante, com transferência de tecnologia. A expectativa é que 100 milhões de doses sejam disponibilizadas no primeiro semestre de 2021.

Depois, com a transferência de tecnologia, o país deverá conseguir produzir até 160 milhões de doses da vacina de maneira autônoma no segundo semestre do ano que vem por meio da Fiocruz.


"Em janeiro e fevereiro, já começam a chegar 15 milhões de doses dessa encomenda tecnológica da AstraZeneca/Oxford com a Fiocruz. E, no primeiro semestre, chegamos a 100 milhões de doses. No segundo semestre, já com a tecnologia transferida, pronta, nós poderemos produzir com a Fiocruz até 160 milhões de doses a mais. Só aí são 260 milhões de doses", declarou Pazuello.

Pazuello participou na manhã de hoje de audiência na comissão mista do Congresso, que acompanha as ações de combate ao coronavírus durante a pandemia.

Até o momento, nenhuma vacina em desenvolvimento recebeu o aval final da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), condição para que seja distribuída e aplicada na população. A vacina da AstraZeneca/Oxford está em fase avançada de desenvolvimento e, assim como outros imunizantes, tem os estudos acompanhados pela agência.


Brasil tem até três opções de vacina, diz ministro


O ministro afirmou que a pasta tem se reunido de forma constante com empresas desenvolvedoras de vacinas, independentemente da origem, para discutir questões científicas, técnicas, comerciais e logísticas. No entanto, quando se discute a capacidade dos proponentes para a fabricação e entrega das vacinas, as opções se reduzem a até três opções, que ele não nomeou.


"São muito poucas as fabricantes que têm a quantidade e o cronograma de entrega efetivo para o nosso país. Quando a gente chega ao final das negociações e vai para cronograma de entrega, fabricação, os números são pífios. Se reduzem a uma, duas ou três ideias" Eduardo Pazuello, ministro da Saúde.


Segundo ele, apesar de haver propaganda relacionada à descoberta de vacinas, depois de uma análise mais aprofundada as propostas se mostram insatisfatórias.


"Uma produtora lança uma campanha publicitária de que já fez, está pronto, está maravilhoso. Na hora que você vai efetivar a compra, não tem bem aquilo que você quer, o preço não é bem aquele e a qualidade não é bem aquela. Quando a gente aperta, as opções diminuem bastante", disse.


O Brasil também faz parte do consórcio Covax Facility, iniciativa internacional para acelerar o desenvolvimento de vacinas e permitir um acesso mais igualitário aos imunizantes pelos países participantes. O ministro informou que o consórcio reúne dez fabricantes e o Brasil tem a opção de compra e recebimento de 42 milhões de doses.


Essas doses poderão ser de uma das dez fabricantes que participam da iniciativa, inclusive a própria AstraZeneca. Ele ressaltou que qualquer vacina precisa primeiro ter os devidos registros internacionais e da Anvisa para ser usada no país.


Plano de imunização


Pazuello disse que o plano preliminar de operacionalização da vacinação contra a covid-19 está em fase final de elaboração e será concretizado quando houver vacinas registradas na Anvisa. Os grupos prioritários a serem vacinados, em princípio, são:


Fase 1: trabalhadores da área de saúde, pessoas de 75 ou mais, população indígena. 

Fase 2: pessoas de 60 a 74 anos. 

Fase 3: pessoas com comorbidades. 

Fase 4: professores, trabalhadores das forças de segurança e salvamento, funcionários do sistema prisional, população privada de liberdade.


A ordem ou prioridade dos grupos a serem vacinados ainda pode mudar, de acordo com a segurança e eficácia da vacina a ser aplicada.


Vacina não será obrigatória


O ministro afirmou ainda que o ministério adotará o princípio de que ninguém será obrigado a se vacinar, em consonância com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), mas que a pasta fará campanhas de conscientização, trabalhará para disponibilizá-la em todos os lugares e se esforça por uma vacina com resultados, sem efeitos colaterais.


"Com isso, nós vamos ter uma procura muito grande, e não uma obrigatoriedade", disse, ao acrescentar que o ministério também aguarda posicionamento do STF (Supremo Tribunal Federal) sobre o assunto.


'Não podemos falar mais em lockdown'


Aos parlamentares Pazuello também afirmou que não se pode falar "mais em lockdown nem nada" ao citar a realização das eleições municipais, que contaram com aglomerações e eventos. "Se esse vírus se propaga por aglomeração, por contato pessoal, por aerossóis, e nós tivemos a maior campanha democrática que poderia haver no nosso país, nos últimos dois meses, se isso não trouxe nenhum tipo de incremento ou aumento em contaminação, nós não podemos falar mais em lockdown nem nada", declarou. Em seguida, ele disse que "é claro que há um pequeno aumento por isso" e afirmou que, de acordo com acontecimentos, o fluxo de casos e da própria pandemia vai se alterando.


"É claro que há uma pequena -- quer dizer, desculpe, vou usar outro termo... É claro que há uma mudança de fluxo, de linha, da nossa senoide -- ela sobe. Coisas acontecem, e ela sobe; coisas acontecem, e ela cai. Isso é observação e conhecimento" Eduardo Pazuello.


A declaração do ministro acontece em um momento em que várias unidades federativas voltaram a determinar medidas mais duras em busca do afastamento social. O governo do Distrito Federal, por exemplo, determinou que bares e restaurantes fechem até as 23h. O governo estadual de São Paulo voltou a limitar ocupações máximas de espaços e horários de funcionamento do comércio e de serviços.


Até ontem, o total de óbitos provocados pela doença desde o início da pandemia chegava a 173.862 no Brasil. O levantamento foi feito pelo consórcio de veículos de imprensa do qual o UOL faz parte. Sete estados apresentaram tendência de alta, enquanto dez e o Distrito Federal tiveram queda. Oito foram os estados em estabilidade.


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quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

CORONAVÍRUS: Brasil vive 'início de 2ª onda' de Covid por falta de testes, de política centralizada e de isolamento social, apontam pesquisadores

 

Com base em dados, pesquisadores dizem que 'situação no Brasil se deteriorou fortemente nas últimas duas semanas' e dizem que 'início de uma 2ª onda de crescimento de casos já é evidente em quase todos os estados'


Pesquisadores brasileiros divulgaram uma nota técnica na qual, baseados em dados da pandemia do novo coronavírus no Brasil, afirmam que o país vive o "início de uma 2ª onda". Além do diagnóstico, o grupo formado por cientistas de diferentes universidades públicas faz uma série de recomendações para diminuir o impacto do crescimento dos casos e mortes por Covid-19 (veja detalhes abaixo).


-Internações por Covid-19 crescem 17% no estado de SP, na 2ª semana seguida de alta;

-Taxa de transmissão da Covid volta a ficar acima de 1, aponta Imperial College;

-Eles apontam ao menos três fatores para o "aumento explosivo" ou "manutenção da grande circulação do vírus":

-falta de "testagem sistemática com rastreamento de casos";

-falta de uma "política central coordenada, clara e eficaz de enfrentamento da situação";


-"afrouxamento das medidas de isolamento sem evidências empíricas, sem uma análise cuidadosa por uma painel de especialistas";


-"A situação no Brasil se deteriorou fortemente nas últimas duas semanas, e o início de uma segunda onda de crescimento de casos já é evidente em quase todos os estados, de forma particularmente preocupante nas regiões mais populosas do país", afirmam os pesquisadores na Nota Técnica – 22/11/2020 Situação da Pandemia de Covid-19 no Brasil.


Os pesquisadores alertam que o crescimento no número de casos é consequência de "uma sistemática queda dos níveis de isolamento social, mas também da ausência de campanhas de esclarecimento e falsa sensação de segurança disseminada na população".


Análise de pesquisadores de seis universidades


A nota técnica é assinada por seis pesquisadores da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia Campus Salvador (IFBA), da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Universidade do Estado da Bahia (Uneb) e da Universidade de Brasília (UnB).


Os pesquisadores Antônio Carlos Guimarães de Almeida, Antônio José Assunção Cordeiro, Fulvio Alexandre Scorza, Marcelo A. Moret, Tarcísio M. Rocha Filho e Walter Massa Ramalho analisaram os seguintes parâmetros:


Dados de casos e óbitos por estado: Segundo os pesquisadores, "as mortes em excesso por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) indicam fortemente que o número real de mortes por Covid-19 é superior aos valores anunciados, o que também é observado em diferentes proporções em outros países";


medidas de circulação do vírus: com base no aumento do ritmo de transmissão (Rt), os pesquisadores afirmam que podem "afirmar com alto grau de segurança que uma segunda onda de crescimento da pandemia já se iniciou em todo o país"


taxas de isolamento ao longo da pandemia: a nota técnica afirma que "o isolamento social vem caindo sistematicamente em todo o país desde que as primeiras medidas de distanciamento foram implementadas em março, o que explica as ainda muito altas taxas de transmissão do vírus"


e estimativa de percentual da população infectada: com base em um modelo matemático, o grupo afirma que estados brasileiros oscilam - na projeção - entre 9% e 28% das pessoas infectadas. "Consequentemente, todos os estados estão muito longe ainda de atingir uma possível imunidade de rebanho. Permitir que a pandemia se alastre até atingir a imunidade de rebanho implicaria em um número de mortes muito maior do que o já observado até hoje (entre três e quatro vezes maior), com um forte saturação do sistema de saúde, que por sua vez aumentaria ainda mais o número de mortes", afirmam os pesquisadores.


Recomendações


Os pesquisadores alertam que é "urgente" que medidas sejam tomadas neste início de retomada da gravidade da pandemia. Eles listam:


"Gestores públicos devem basear suas decisões na melhor evidência científica disponível"

"Estabelecer uma coordenação central no governo federal"

"Políticas de isolamento e distanciamento social devem ser intensificadas o quanto antes, até atingir um controle efetivo da pandemia"

"Implementar uma extensa política de testagem de infecção pelo vírus SARS-CoV-2, com o rastreamento e isolamento de contatos"

"Realizar extensas campanhas públicas de informação da população"

"Implementação de real e efetivo apoio financeiro aos cidadãos menos favorecidos"


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